Após três décadas transformando vidas por meio da leitura e das histórias em quadrinhos, a Gibiteca de Campo Grande inicia um novo capítulo de sua trajetória. A partir de agora a associação passa a atuar como Instituto Cultural e Social Gibiteca, ampliando sua capacidade de desenvolver projetos, firmar parcerias e fortalecer ações voltadas à educação, cultura, assistência social e sustentabilidade.
A mudança marca um processo de amadurecimento institucional construído ao longo de 30 anos. Fundada na década de 1990 com apenas 150 gibis, a instituição nasceu do sonho de democratizar o acesso à leitura e, hoje, reúne um acervo com mais de 25 mil exemplares, incluindo raridades nacionais e internacionais, resultado do envolvimento da comunidade sul-mato-grossense.
Para o fundador da Gibiteca, Ronilço Guerreiro, a essência do trabalho permanece a mesma desde o início: aproximar pessoas dos livros e da cultura. “Nosso maior objetivo sempre foi transformar vidas por meio dos livros. Quando uma criança descobre o prazer da leitura, ela amplia seus horizontes e passa a acreditar que pode construir um futuro diferente”, comentou.
Segundo Guerreiro, a transformação da associação em Instituto representa um salto na profissionalização da gestão, permitindo ampliar o impacto social sem perder a identidade construída ao longo de três décadas. A nova estrutura fortalece a capacidade da instituição de participar de editais, celebrar convênios e captar investimentos para expandir seus projetos de incentivo à leitura, formação cultural e inclusão social.
Além das atividades de incentivo à leitura e oficinas de histórias em quadrinhos, o Instituto passa a oferecer atividades permanentes de desenho digital, aquarela, musicalização e violão, formando crianças e jovens também para as oportunidades da economia criativa.
Outra frente importante é a formação de multiplicadores da leitura, por meio da capacitação de professores, contadores de histórias e líderes comunitários que levam a literatura para escolas, hospitais e comunidades. O trabalho também contempla a população idosa com o projeto Gibiteca 60+, que utiliza literatura e histórias em quadrinhos para estimular a memória, fortalecer vínculos e promover o envelhecimento ativo.
Mas é fora da sede que o Instituto pretende ampliar ainda mais seu alcance. Projetos como a Freguesia do Livro, Gibicicleta, a Vanteca e as estantes de livros instaladas nos terminais de ônibus e no centro de Campo Grande continuarão levando leitura gratuitamente para milhares de pessoas. “Livro parado na estante não conta histórias. O nosso compromisso é fazer com que cada livro circule, encontre novos leitores e continue transformando vidas”, disse Guerreiro.
Ronilço destaca que a democratização da leitura passa justamente por facilitar o acesso da população aos livros. “Levamos livros até onde as pessoas estão. Seja por meio da Freguesia do Livro nas feiras da cidade, Gibicicleta nas escolas e eventos, da Vanteca, das estantes nos terminais de ônibus ou das ações itinerantes, acreditamos que o acesso à leitura precisa chegar a todos”.
Nova fase
A nova fase também incorpora a educação ambiental como um dos pilares da instituição. Com a criação da Escola Aberta Gibiteca ECO, a população terá acesso a oficinas sobre compostagem, hortas urbanas, consumo consciente e preservação ambiental. O projeto contará ainda com a parceria do Instituto Lixo Zero para promover ações voltadas à gestão de resíduos e sustentabilidade.
Entre os projetos futuros está a implantação da primeira Praça dos Livros de Campo Grande, um espaço permanente de incentivo à leitura, convivência e atividades culturais ao ar livre.
Para Ronilço, o crescimento do Instituto representa um compromisso renovado com a cidade. “Quando levamos um livro para uma escola, uma praça, um terminal de ônibus ou uma comunidade, estamos dizendo que a cultura pertence a todos. Nosso trabalho vai muito além de distribuir livros; queremos despertar sonhos, fortalecer cidadãos e transformar vidas por meio da leitura”.