A audiência pública que discutiu o futuro do Parque Linear do Segredo, realizada na noite de quinta-feira (23), na Vila Saraiva, consolidou um posicionamento já defendido pelo vereador Ronilço Guerreiro: o crescimento urbano da região precisa ocorrer com planejamento, preservação ambiental e participação direta da população. Proponente do debate, ele tem atuado na defesa do espaço como área estratégica para o equilíbrio ambiental de Campo Grande.
Ao longo do encontro, que reuniu moradores, representantes do poder público, vereadores, pesquisadores, especialistas e lideranças, Guerreiro destacou que a audiência cumpriu o papel de abrir espaço para diferentes pontos de vista, permitindo que a comunidade participasse das decisões desde o início. Segundo ele, esse tipo de construção coletiva é essencial para evitar conflitos futuros e garantir soluções mais alinhadas com a realidade local.
O vereador enfatizou a importância de levar o Legislativo até os bairros, ampliando o acesso da população ao debate público. “É importante a Câmara estar presente junto com a comunidade, in loco, conversando, dialogando e ouvindo. Muitas vezes as pessoas não conseguem ir até a Câmara, então nós levamos a Câmara até elas. É ouvir, ouvir, ouvir, porque nem sempre é o que o Executivo quer, é o que a população quer”, afirmou.
Um dos principais pontos discutidos foi a proposta de construção de uma ponte na região. De acordo com Guerreiro, a manifestação dos moradores indicou preocupação com os impactos ambientais e reforçou a necessidade de alternativas. “Ficou nítido que a população não quer aquela ponte. Quer infraestrutura, mobilidade urbana com planejamento, mas também educação ambiental e análise de impacto. A cidade precisa crescer, mas com responsabilidade”, disse.
O vereador também destacou a contribuição técnica apresentada durante a audiência, com participação de professoras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, que levaram propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região. Além disso, ressaltou a presença do promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida, que acompanhou atentamente o debate, e a atuação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, que reforçou a importância da preservação desde as etapas iniciais do projeto.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (SEMADES), Ademar Silva Junior, apresentou dados sobre o número de veículos na cidade como ponto de partida para o planejamento urbano. “Temos quase dois carros por habitante na cidade. Estamos próximos de 1 milhão de pessoas, ou seja, cerca de 2 milhões de veículos circulando na Capital. As vias vão ficando congestionadas, e o crescimento da cidade é muito exponencial. Este é um momento de escutar a comunidade e as autoridades. A Prefeitura está aberta para encontrar soluções”, destacou.
Para Guerreiro, o debate deixou claro que é possível conciliar desenvolvimento urbano e proteção ambiental, desde que as decisões sejam tomadas de forma transparente e participativa. Ele defendeu que eventuais intervenções na região considerem não apenas a mobilidade, mas também a criação de espaços de lazer, cultura e preservação ambiental como forma de compensação e valorização do território.
Ao final, Ronilço informou que todo o conteúdo apresentado será organizado em relatório e encaminhado aos órgãos competentes, com o objetivo de subsidiar as próximas etapas de discussão e planejamento. A intenção, segundo ele, é garantir que as contribuições da comunidade sejam efetivamente consideradas nas decisões sobre o futuro da região